terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Em 2019, "Trout Mask Replica" completou meio século de esquisitice



No universo da música pop, grandes clássicos foram lançados em 1969. Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd e Led Zeppelin lançaram alguns dos mais importantes álbuns da história da música: "Abbey Road", "Let it Bleed", "Ummagumma" e "Led Zeppeini, respectivamente. 

Sem fazer muito alarde, no mesmo ano, Captain Beefheart and His Magic Band, lançou outro clássico: o hoje cultuado Trout Mask Replica. O álbum duplo é o terceiro trabalho de estúdio da banda de rock norte-americana. 


Lançado em 16 de junho de 1969, pela Straight Records, a obra é considerada uma importante referência da música experimental e do art rock, tendo influenciado gêneros como o punk e a new wave.

Passeando pelo R&B, garage rock, blues, free jazz, folk, música experimental e de vanguarda, o álbum foi gravado, em março de 1969, no Whitney Studios, Glendale, Califórnia, por Don Glen Van Vliet (ou Don Van Vliet ou Captain Beefheart), voz, harmônica e saxofone, Bill Harkleroad e Jeff Cotton, guitarras, Mark Boston, baixo, Victor Haydenclarinete, e John French, bateria e percussão. 

A maior parte do álbum foi produzido por Frank Zappa, que também aparece com sua voz em duas faixas, "Pena" e "The Blimp"


"Trout Mask Replica" foi um fiasco de vendas nos EUA, não alcançando nenhuma posição nas paradas. Melhor desempenho teve no Reino Unido, onde ocupou por algumas semanas a 21ª posição na UK Albums chart. 


Considerado a obra-prima da carreira de Van Vliet, o álbum é referência para artistas que vieram na sequência (Tom Waits e PJ Harvey beberam dessa fonte). Musicalmente incomum, as composições do disco não seguem uma marcação de tempo linear, ao contrário, são marcações de tempo inusitadas, tornando a obra um dos discos mais estranhos do século XX. 


Nos "500 Maiores Álbuns de Todos Tempos", edição de 2012 da Rolling Stone, a obra aparece na posição de número 60. No livro "Almanaque da Música Alternativa", de 1995, o crítico Alan Cross colocou o álbum na segunda posição na sua lista de "Álbuns Alternativos Clássicos". No mesmo ano a Mojo, colocou o álbum no número 28 na sua lista "Os 100 Maiores Álbuns Já Feitos". O álbum também foi incluído no livro "1001 Álbuns Para Ouvir Antes de Morrer", de Al Spicer. 


O disco conta com alguns apreciadores famosos, como Matt Groening, David Lynch, John Frusciante e Stevie Vai.  



Zebé Neto
Pesquisador, escritor e músico amador






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