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| Marco Benvegnú, músico e compositor gaúcho, aposta nas experimentações como principal característica do projeto Irmão Victor (Imagem: Som do Som) |
Um critério utilizado por mim para escutar algum artista desconhecido é através da arte do álbum. Alguma coisa na capa do disco Passos Simples para Transformar Gelatina em um Monstro (2016) me dizia que encontraria ali música da boa. Não deu outra.
O segundo disco de inéditas do Irmão Victor, projeto musical do cantor e compositor Marco Benvegnú, de Passo Fundo (RS), vai buscar na psicodelia e pegadas lisérgicas das décadas de 1960 e 1970 elementos estruturantes do som do gaúcho.
Passos Simples para Transformar Gelatina em um Monstro (2016)
Esse ano o músico saltou o terceiro de inéditas, Cronópio? (2018, Chupa Manga Recs.), trabalho onde Benvegnú "esconde segredos, nuances e pequenas texturas
instrumentais que convidam o ouvinte a desvendar e não apenas ouvir o
trabalho", segundo resenha publicada no site Miojo Indie.
Cronópio? (2018)
Marcante também é a ironia e tom satírico das letras, com
destaque para os títulos bem esquisitos das composições. O que dizer de títulos
como "Mostarda com água morna", "Soluço de arroz puro", "Assistindo
'A Vaca e o Frango' com a Salete", "Ascensão e Queda do Pub",
"Canção para minha chaleira vermelha" e "Insônia &
Rinite Alérgica"?
O primeiro álbum,
"Irmão Victor" (2016), com uma pegada mais low-fi, contém todos os
elementos que seriam amalgamados em Cronópio?: música experimental, rock, música brasileira, música
latina, eletrônica, pitadas de jazz, pop psicodélico. Do álbum são as canções "Hoje eu mordi uma vaca" e "Universum Tanga Est".
Zebé Neto
Pesquisador e músico amador
