quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

10 discos esquisitos lançados em 2016


Quando coloquei o Esquisito Sounds no ar, sabia que as postagens não seriam tão frequentes como gostaria, pois seria bem complicado conciliar as atividades que já exerço com a audição-pesquisa-escrita sobre música, mas não imaginava que o intervalo seria tão grande.

Acreditem, para um blog que foi inaugurado em abril de 2016, essa é apenas nossa segunda publicação. Como todas/todos sabem, 2016 foi um ano difícil, e para mim isso não foi diferente, interferindo na condução dos projetos. De qualquer forma, estamos de volta! 

Enquanto sigo planejando as ações do blog para 2017, deixo uma pequena lista com dez discos esquisitos lançados no ano passado.  Acredito que os sons escolhidos representam bem a proposta do blog. Tem de tudo um pouco: avant-garde jazz, música experimental, música eletrônica, psicodelia, instrumentos não-convencionais, ruídos, etc. Com relação à disposição das obras, optei por uma organização alfabética dos nomes dos trabalhos.

Para deixar vocês com o que importa, a música, uma última observação: do meu top 10 esquisito, sete são nacionais e apenas três gringos, o que evidencia, na minha modesta opinião, a qualidade e o bom momento da música nacional, apesar da mediocridade da produção musical de massa que maltrata os ouvidos de milhões de brasileiros.

É isso! Espero que gostem da seleção e sigam acampando os sons esquisitos que tocarão por aqui neste ano!

Zebé Neto
Pesquisador e músico amador


Hurtmold & Paulo Santos
Curado

Resultado de imagem para hurtmold curado

Resultado da parceria entre o Hurtmold (Maurício Takara, Guilherme Granado, Marcos Gerez, Mário Cappi, Fernando Cappi e Rogério Martins), grupo paulistano que passeia pelo rock, jazz, noise, música experimental para construir suas paisagens sonoras, e o experiente Paulo Santos, um dos integrantes do Uakti, coletivo mineiro de música de vanguarda, recentemente extinto, o disco Curado (Sesc) representa uma síntese dos arranjos e batidas contidos na sonoridade urbana do Hurtmold mais o ambiente de toques minimalistas e melodias tiradas de instrumentos não-convencionais de Santos, como tubos de PVC, encaixes metálicos e componentes feitos de elementos disponíveis na natureza, como uma flauta de bambu.

 
 

Barulhista
Desfiado (Fluxxx)
 
Resultado de imagem para barulhista desfiado
Décimo terceiro álbum do produtor mineiro Davidson Soares, que assina seus registros sonoros como Barulhista, “Desfiado” traz nas suas dez faixas um som experimental e complexo, onde Davidson articula sintetizadores minimalistas, guitarras cósmicas, elementos regionais e percussivos, base psicodélica e texturas eletrônicas.
 

 
Hierofante Púrpura
Disco Demência (2016, Balaclava Records)


Resultado de imagem para hierofante purpura disco demencia
 
Formada por Danilo Sevali (voz, teclados, guitarra), Helena Duarte (baixo, voz), Gabriel Lima (guitarra, voz) e Rodrigo Silva (bateria), a banda de Mogi das Cruzes, Hierofante Púrpura, lançou ano passado seu mais recente trabalho, o álbum Disco Demência (2016, Balaclava Records). São cinco extensas composições onde o grupo mistura o rock psicodélico da década de 1970, a cena alternativa dos anos 1990, guitarras minimalistas, distorções, vozes declamadas para criar um dos melhores discos do pop nacional do ano passado.


 
Peter Evens Quintet
Genesis (2016, Independente)
 
Resultado de imagem para peter evans genesis
 
O norte-americano Peter Evens (trompete) é considerado um dos principais nomes da free music contemporânea. Ao lado de Tom Blancarte (baixo), Sam Pluta (eletrônicos), Ron Stabinsky (piano) e Jim Black (bateria), o Peter Evens Quintet lançou o álbum Genesis, primeiro registro ao vivo do quinteto que promove a integração de improvisação, intervenções eletrônicas, composições complexas, groove, melodia e noise.  O registro é da turnê europeia de 2015, mais uma gravação, "Patient Zero", feita em fevereiro de 2016 (NY). 

 

maquinas
Lado Turvo, Lugares Inquietos
 
Resultado de imagem para lado turvo lugares inquietos
  
As composições do disco Lado Turvo, Lugares Inquietos, da banda cearense maquinas, formada por Allan Dias (voz/baixo), Roberto Borges (voz/guitarras), Samuel Carvalho (voz/guitarras/samples) e Ricardo Guilherme Lins (bateria), revelam uma diversidade de detalhes, fórmulas e arranjos instáveis. Através de uma estrutura instrumental que cresce lenta e delicadamente, a banda cria uma atmosfera obscura e melancólica.
 

 
 
Vítor Araújo
Levaguiã Terê (2016, Natura Musical)
 
Resultado de imagem para Levaguiã Terê
 
Vozes em coro, arranjos de corda, delicadas melodias instáveis, batidas e temas eletrônicos são alguns dos elementos presentes em Levaguiã Terê (2016, Natura Musical), segundo álbum de estúdio do compositor pernambucano Vítor Araújo. Assumidamente inspirado em artistas como Björk, The Knife, Animal Collective e Radiohead, o multi-instrumentista segue buscando novas possibilidades, texturas, fórmulas e sonoridades, articulando ambientações orquestrais e conceitos da música de vanguarda. A propósito, Levaguiã Terê vem de um pássaro mitológico do folclore indígena.
 
 
 
Metá Metá
MM3 (2016, Independente)
 
Resultado de imagem para meta meta mm3
 
Formado por Juçara Marçal (voz), Kiko Dinucci (guitarras) e Thiago França (saxofone), o Metá Metá lançou seu terceiro álbum de inéditas, MM3 (2016, Independente). No trabalho, o grupo de São Paulo continua incorporando elementos da cultura africana, dialogam com estruturas jazzísticas, sem deixar de lado novos caminhos, como o flerte com o punk, já antecipado no EP Metá Metá EP (2015), quando a banda apresentou sua versão  para o clássico Me Perco Nesse Tempo, gravado em 1986 pelas Mercenárias, banda de pós-punk paulistana. Em estúdio, a banda teve a companhia de Marcelo Cabral (baixo) e Sergio Machado (bateria), parceiros de longa data.

 
 
 
The Chadderandom Abyss
Mother Woogie Shot Pearls (2016, Independente)

 
Resultado de imagem para mother-woogie-shot-pearls

Não tenho muita informação sobre o The Chadderandom Abyss. Conheci o projeto há uns quatro, cinco anos, enquanto pesquisava sons no Jamendo (site de distribuição de músicas livres, licenciadas sob Creative Commons). Uma das poucas informações obtidas, fornecida pelo próprio músico, é a seguinte: “I write stuff, I record stuff, I entertain myself. It is what it is!". Nesta de entreter a si próprio, o The Chadderandom Abyss já gravou 30 discos, sendo o Mother Woogie Shot Pearls (Independente, 2016) o mais recente. São 14 faixas curtas (apenas duas, Blame the bed e Heaven knows the lady in the house, ultrapassa os 3 minutos), onde podemos ouvir uma mistura bizarra de ruídos, experimentações, folk psicodélico, space rock, bases eletrônicas e estruturas minimalistas.
 
 
 
Cadu Tenório
Rimming Compilation (2016, Brava/Sinewave)

Resultado de imagem para Rimming Compilation cadu tenorio
  
O duplo Rimming Compilation (2016, Brava/Sinewave), do produtor carioca Cadu Tenório, é formado pelas metades Liquid Sky e Phantom Pain. Para fazer seu som o produtor utiliza uma pluralidade de temas, fragmentos de vozes, ambientações serenas, peças avulsas, pequenos fragmentos experimentais, ruídos, texturas abstratas, trechos de produtos audiovisuais, vozes e arranjos irregulares.

 
 
 
Nicolas Jaar
Sirens (2016, Other People)
Resultado de imagem para sirens nicolas jaar

No disco Sirens (2016, Other People), segundo trabalho de estúdio de Nicolas Jaar, o produtor nova-iorquino busca novas sonoridades, mergulhando mais no experimental. São seis faixas que revelam diferentes combinações e ritmos, ora mais eufóricos, em outros momentos, mais serenos. Ao longo do trabalho, podemos ouvir diferentes referências musicais, pequenos diálogos, experimentos jazzísticos e temas políticos.