Quando coloquei o Esquisito Sounds no ar, sabia
que as postagens não seriam tão frequentes como gostaria, pois seria bem
complicado conciliar as atividades que já exerço com a audição-pesquisa-escrita
sobre música, mas não imaginava que o intervalo seria tão grande.
Acreditem, para um blog que foi inaugurado em abril de 2016, essa é apenas nossa segunda publicação. Como todas/todos sabem, 2016 foi um ano difícil, e para mim isso não foi diferente, interferindo na condução dos projetos. De qualquer forma, estamos de volta!
Enquanto sigo planejando as ações do blog para 2017, deixo uma pequena lista com dez discos esquisitos lançados no ano passado. Acredito que os sons escolhidos representam bem a proposta do blog. Tem de tudo um pouco: avant-garde jazz, música experimental, música eletrônica, psicodelia, instrumentos não-convencionais, ruídos, etc. Com relação à disposição das obras, optei por uma organização alfabética dos nomes dos trabalhos.
Para deixar vocês com o que importa, a música, uma última observação: do meu top 10 esquisito, sete são nacionais e apenas três gringos, o que evidencia, na minha modesta opinião, a qualidade e o bom momento da música nacional, apesar da mediocridade da produção musical de massa que maltrata os ouvidos de milhões de brasileiros.
É isso! Espero que gostem da seleção e sigam acampando os sons esquisitos que tocarão por aqui neste ano!
Acreditem, para um blog que foi inaugurado em abril de 2016, essa é apenas nossa segunda publicação. Como todas/todos sabem, 2016 foi um ano difícil, e para mim isso não foi diferente, interferindo na condução dos projetos. De qualquer forma, estamos de volta!
Enquanto sigo planejando as ações do blog para 2017, deixo uma pequena lista com dez discos esquisitos lançados no ano passado. Acredito que os sons escolhidos representam bem a proposta do blog. Tem de tudo um pouco: avant-garde jazz, música experimental, música eletrônica, psicodelia, instrumentos não-convencionais, ruídos, etc. Com relação à disposição das obras, optei por uma organização alfabética dos nomes dos trabalhos.
Para deixar vocês com o que importa, a música, uma última observação: do meu top 10 esquisito, sete são nacionais e apenas três gringos, o que evidencia, na minha modesta opinião, a qualidade e o bom momento da música nacional, apesar da mediocridade da produção musical de massa que maltrata os ouvidos de milhões de brasileiros.
É isso! Espero que gostem da seleção e sigam acampando os sons esquisitos que tocarão por aqui neste ano!
Zebé Neto
Pesquisador e músico amador
Hurtmold
& Paulo Santos
Curado 
Resultado da parceria entre
o Hurtmold (Maurício Takara, Guilherme Granado,
Marcos Gerez, Mário Cappi, Fernando Cappi e Rogério Martins), grupo paulistano
que passeia pelo rock, jazz, noise, música experimental para construir
suas paisagens sonoras, e o experiente Paulo Santos, um dos
integrantes do Uakti, coletivo mineiro de música de vanguarda, recentemente
extinto, o disco Curado (Sesc) representa uma síntese dos arranjos e
batidas contidos na sonoridade urbana do Hurtmold mais o ambiente de toques
minimalistas e melodias tiradas de instrumentos não-convencionais de Santos,
como tubos de PVC, encaixes metálicos e componentes feitos de elementos
disponíveis na natureza, como uma flauta de bambu.
Barulhista
Desfiado (Fluxxx)
Décimo terceiro álbum
do produtor mineiro Davidson Soares, que assina seus registros sonoros
como Barulhista, “Desfiado” traz nas suas dez faixas um som experimental e complexo,
onde Davidson articula sintetizadores minimalistas, guitarras cósmicas,
elementos regionais e percussivos, base psicodélica e texturas eletrônicas.
Hierofante
Púrpura
Disco
Demência (2016, Balaclava Records)
Formada por Danilo Sevali (voz, teclados, guitarra), Helena
Duarte (baixo, voz), Gabriel Lima (guitarra, voz) e Rodrigo Silva (bateria), a
banda de Mogi das Cruzes, Hierofante Púrpura, lançou ano passado seu mais recente
trabalho, o álbum Disco Demência (2016, Balaclava Records). São cinco
extensas composições onde o grupo mistura o rock psicodélico da década de 1970,
a cena
alternativa dos anos 1990, guitarras minimalistas, distorções, vozes declamadas
para criar um dos melhores discos do pop nacional do ano passado.
Peter
Evens Quintet
Genesis
(2016, Independente)
O norte-americano Peter
Evens (trompete) é considerado um dos principais nomes da free music
contemporânea. Ao lado de Tom Blancarte (baixo),
Sam Pluta (eletrônicos), Ron Stabinsky (piano) e Jim Black (bateria), o Peter
Evens Quintet lançou o álbum Genesis,
primeiro registro ao vivo do quinteto que promove a integração de improvisação,
intervenções eletrônicas, composições complexas, groove, melodia e noise.
O registro é da turnê europeia de 2015, mais uma gravação, "Patient
Zero", feita em fevereiro de 2016
(NY).
maquinas
Lado Turvo, Lugares
Inquietos
As composições do
disco Lado Turvo, Lugares Inquietos,
da banda cearense maquinas, formada por Allan Dias (voz/baixo), Roberto
Borges (voz/guitarras), Samuel Carvalho (voz/guitarras/samples) e Ricardo
Guilherme Lins (bateria), revelam uma diversidade de detalhes, fórmulas e
arranjos instáveis. Através de uma estrutura instrumental que cresce
lenta e delicadamente, a banda cria uma atmosfera obscura e
melancólica.
Vítor Araújo
Levaguiã
Terê (2016, Natura Musical)
Vozes em coro, arranjos de
corda, delicadas melodias instáveis, batidas e temas eletrônicos são
alguns dos elementos presentes em Levaguiã Terê (2016,
Natura Musical), segundo álbum de estúdio do compositor pernambucano Vítor
Araújo. Assumidamente inspirado em artistas como Björk, The Knife, Animal
Collective e Radiohead, o multi-instrumentista segue buscando novas
possibilidades, texturas, fórmulas e sonoridades, articulando ambientações
orquestrais e conceitos da música de vanguarda. A propósito, Levaguiã
Terê vem de um pássaro mitológico do folclore indígena.
Metá Metá
MM3 (2016, Independente)
Formado
por Juçara Marçal (voz), Kiko Dinucci (guitarras) e Thiago França
(saxofone), o Metá Metá lançou seu terceiro álbum
de inéditas, MM3 (2016,
Independente). No trabalho, o grupo de São Paulo continua incorporando
elementos da cultura africana, dialogam com estruturas jazzísticas, sem deixar de lado novos caminhos, como o
flerte com o punk, já antecipado no EP Metá Metá EP (2015), quando a banda apresentou sua versão
para o clássico Me Perco Nesse Tempo, gravado em 1986
pelas Mercenárias, banda de pós-punk paulistana. Em estúdio, a banda teve
a companhia de Marcelo Cabral (baixo) e Sergio Machado (bateria),
parceiros de longa data.
The Chadderandom Abyss
Mother Woogie Shot Pearls (2016, Independente)
Não
tenho muita informação sobre o The Chadderandom Abyss. Conheci o projeto
há uns quatro, cinco anos, enquanto pesquisava sons no Jamendo (site de
distribuição de músicas livres, licenciadas sob Creative Commons). Uma das
poucas informações obtidas, fornecida pelo próprio músico, é a
seguinte: “I write stuff, I record stuff, I
entertain myself. It is what it is!". Nesta de entreter a si próprio,
o The Chadderandom Abyss já gravou 30
discos, sendo o Mother Woogie Shot Pearls (Independente,
2016) o mais recente. São 14 faixas curtas (apenas duas, Blame the bed e Heaven knows the lady in the house, ultrapassa os 3 minutos), onde
podemos ouvir uma mistura bizarra de ruídos, experimentações, folk psicodélico,
space rock, bases eletrônicas e estruturas minimalistas.
Cadu Tenório
Rimming Compilation (2016, Brava/Sinewave)
O duplo Rimming Compilation (2016, Brava/Sinewave), do produtor carioca Cadu Tenório, é formado pelas metades Liquid Sky e Phantom Pain. Para fazer seu som o produtor utiliza uma pluralidade de temas, fragmentos de vozes, ambientações serenas, peças avulsas, pequenos fragmentos experimentais, ruídos, texturas abstratas, trechos de produtos audiovisuais, vozes e arranjos irregulares.
Nicolas Jaar
Sirens (2016, Other People)
No
disco Sirens (2016,
Other People), segundo trabalho de estúdio de Nicolas Jaar, o produtor nova-iorquino busca novas sonoridades,
mergulhando mais no experimental. São seis faixas que revelam diferentes
combinações e ritmos, ora mais eufóricos, em outros momentos, mais serenos. Ao
longo do trabalho, podemos ouvir diferentes referências musicais, pequenos
diálogos, experimentos jazzísticos e temas políticos.





